Como identificar um psicopata?
Desde os primórdios da Psicologia que os especialistas se confrontaram com indivíduos que, embora apresentassem “comportamento de insanidade mental”, não evidenciavam sintomatologia delirante ou alucinatória.
Não há, e jamais será descoberto, um gene ou uma
causa biológica única para o comportamento antissocial. Mas isso não significa
que as características hereditárias, como a inteligência e o temperamento, não
tenham qualquer interesse e não possam influenciar a probabilidade de o
indivíduo vir a manifestar um padrão de comportamento criminal.
A psicopatia parece estar relacionada com importantes disfunções cerebrais sendo, neste sentido, importante considerar que um único fator não é totalmente esclarecedor para causar esta estrutura de personalidade. Parece haver uma junção de componentes. Embora alguns indivíduos com psicopatia não tenham vivenciado um histórico traumático, esta estrutura de personalidade, parece estar associada a três principais fatores: disfunções cerebrais/biológicas ou traumas neurológicos, predisposição genética e traumas sociopsicológicos na infância (e.g., abuso emocional, sexual, físico; negligência; violência; conflitos e separação dos pais).
A dificuldade em definir os limites operacionais
da psicopatia também intensifica a questão acerca da legitimidade do constructo.
Então, qual seria a vantagem de se investigar a psicopatia e utilizar esse termo?
A resposta pode ser encontrada na própria
história do constructo: o termo surgiu para designar quadros de comportamentos
antissociais extremados, habitualmente associados a crimes violentos e
bárbaros, em que as faculdades da razão não pareciam prejudicadas. Hoje,
designa o comportamento antissocial associado a traços disruptivos de
personalidade. Ou seja, embora os contornos do conceito não sejam muito
nítidos, a sua existência e a permanência da sua utilização na comunidade
científica e forense mostra-nos que ele é útil para nomear ou para discriminar
quadros comportamentais e psicológicos que chamam a atenção, e cuja
identificação e compreensão são relevantes para as relações humanas.
É importante ressaltar que a criminalidade não é um componente essencial da definição da psicopatia, mas sim o comportamento antissocial. O comportamento antissocial pode incluir crimes ou a infração de leis, mas não se resume a isso. Abrange comportamentos de exploração nas relações interpessoais que não chegam a ser considerados infrações penais. Por isso, as conceções modernas de psicopatia consideram fundamental a inclusão das características de personalidade que estão na base do comportamento antissocial de tipo psicopático, e que correspondem às dimensões interpessoal e afetiva da Psychopathy Checklist-Revised.
Efetivamente, a maioria das pessoas pensa que os psicopatas são, basicamente, assassinos ou condenados. O público em geral não foi ensinado a ver para além de estereótipos sociais, e compreender que os psicopatas podem ser indivíduos bem-sucedidos profissionalmente, nunca ter estado numa prisão e nunca terem cometido crimes violentos. Porque os psicopatas cometem, com frequência, atitudes reprováveis não necessariamente criminais: exploram as pessoas e deixam-nas carenciadas. Mostram ser empregados traiçoeiros, homens de negócios dados a intrigas, funcionários que usam a sua posição profissional para vitimizar pessoas e para enriquecer à custa delas, amantes desprezadores do outro.
Sempre melhores, sempre disponíveis, para que se sinta mais confortável e seguro.
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